África do Sul vira opção para estudar fora do País

Central de Intercâmbio destaca busca por lugares mais acessíveis.

Mesmo em tempo de dólar nas alturas (em torno de R$ 4) e de crise financeira no Brasil, os sonhos de fazer intercâmbio e, consequentemente, conhecer novas culturas, permanecem vivos nos pensamentos das pessoas. Até por isso, a procura por viajar e aprimorar línguas não diminui por conta dos preços, mas fez com que o público procurasse alternativas para economizar. Com isso, países como a África do Sul, que tem custo de vida semelhante ao do Brasil, ganharam força no mercado. O país surge como alternativa ao Canadá e aos Estados Unidos, mais procurados por quem quer melhorar a língua inglesa.

A gerente da Central de Intercâmbio de Santo André, NelleStrudito, 26 anos, destaca que os valores em solo sul-africano são bem mais atrativos do que em território norte-americano. “As pessoas estão avaliando países com valores mais baixos. Como temos alta procura pelo inglês, o Canadá ainda ganha nesse quesito, por ter o valor mais em conta. Mas a África do Sul realmente se destaca porque é novidade e é mais barata que os Estados Unidos, além de ter forte integração com a natureza, como na Cidade do Cabo.”

Para se ter ideia, intercâmbio (curso mais acomodação em casas de família parceiras) de quatro semanas no Canadá custa em torno de R$ 6.900. Já na África do Sul, o custo é de R$ 8.500, batendo os Estados Unidos, sai por R$ 10 mil. Para se ter ideia, viagem para qualquer país da Europa está perto de R$ 9.000, segundo Nelle. Já para a Oceania, o preço gira em torno de R$ 8.500.

Além do inglês, ela afirma que também são procuradas viagens para aprender francês, espanhol, italiano e alemão. Países também muito procurados são Austrália, Nova Zelândia, Alemanha, Itália, Malta, Espanha e Irlanda – Dublin, capital, aliás, é queridinha de brasileiros. A jornalista Ana Paula Serpo, 31, de São Caetano, ficou dois anos no local (de 2016 para 2018). “Sempre tive vontade de morar fora do Brasil por período longo. A Irlanda era o lugar mais viável financeiramente. A minha ideia sempre foi ir para os Estados Unidos, mas a gente não consegue trabalhar lá por conta do visto, então fica difícil. Foi uma mudança grande na minha vida, porque não estava a fim de trabalhar mais. Já estava desgastante. Comprei o intercâmbio na mesma semana e viajei. O custo foi alto por conta do euro, não foi investimento fácil, tive que vender meu carro e apliquei basicamente o meu dinheiro todo no meu sonho”, disse Ana, que chegou a viajar também para San Diego, nos Estados Unidos, mas não conseguiu continuar.

“Mas vale cada centavo. É uma experiência incrível e mudou minha vida em todos os sentidos. Valorização, família, conhecer pessoas e lugares. O investimento se paga e recomendo a todos. Aliás, o curso é fundamental. Meu inglês melhorou muito, principalmente por conviver com pessoas que falam o idioma. O que ajudou também a arrumar emprego para me manter. Em 99% dos casos se trabalha em subemprego e se aprende a ser humilde”, completou a jornalista.

Flávia Nascimento, 28, advogada de Guarulhos, que também fez intercâmbio na Irlanda por dois anos e quatro meses, contou que nunca tinha pensado em fazê-lo, sequer tinha viajado de avião. “Abri mão da minha festa de formatura e arrisquei. Foi caro, principalmente por conta da desvalorização do real na época. Mas serviu para aprender que existem problemas sociais em todos os lugares. Só por ter a oportunidade de aprender culturas diferentes já me deixou satisfeita.”

Arriscar, aliás, faz parte do planejamento das pessoas que fazem intercâmbio. Muitas vezes, deixam de investir em algo material ou mesmo de continuar um trabalho para ter o sonho de realizar a viagem concretizado. Apesar dos preços, que continuam sendo entraves para jovens e adultos, trata-se de experiência que se leva para a vida toda.

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