Índice de estudantes atrasados chega a quase 10% na região

Percentual de alunos que não estão na série ideal conforme idade se mantém desde 2008 no Grande ABC

No Grande ABC, 31.293 dos 319.560 alunos matriculados na rede pública estão defasados, segundo o Censo da Educação Básica de 2018. Isso significa que quase 10% deles estão pelo menos dois anos atrasados em relação à série escolar recomendada. O percentual, chamado de distorção idade-série, se mantém desde 2008, quando 9,29% dos alunos estavam nesta situação.


O cenário mais grave é no ensino médio, onde a distorção chega a 17,7% – 13.395 dos 75.481 jovens. Em seguida, no ensino fundamental 2 (6º ao 9º ano), os defasados são 11,45%. Já no ensino fundamental 1 (1º ao 5º ano), 4,26% dos alunos não estão na série apropriada.


Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (9.394/1996), as crianças devem ingressar no 1º ano do ensino fundamental aos 6 anos, cujo objetivo é a formação básica. Entre os 15 e 17 anos, o jovem deve cursar o ensino médio, visando a consolidação e aprofundamento de conhecimentos já adquiridos.


Na avaliação de especialistas, a defasagem é reflexo do modelo de ensino adotado pelas instituições de ensino públicas. “Este percentual não pode ser considerado normal e nem é possível aceitar, pois uma escola justa e eficaz é quando o aluno aprende e avança no desenvolvimento da aprendizagem”, afirma Paulo Sérgio Garcia, coordenador do Observatório de Educação do Grande ABC e professor da USCS (Universidade Municipal de São Caetano).


“Esta é apenas parte do chamado fracasso escolar, muito observado no Nordeste e, mesmo em uma das regiões mais ricas do Brasil (o Sudeste), quase 10% das crianças não podem aprender como deveriam”, assinala o docente. Outro aspecto observado é que o modelo de ensino defende que quando o aluno repete de série, ele irá aprender melhor. Contudo, o especialista aponta que os resultados de repetentes em exames de avaliação costumam ser menores.


Ítalo Curcio, coordenador do curso de pedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, concorda e adiciona que um dos principais fatores que levam aos “péssimos resultados” é a falta de estrutura de ensino individualizada. “Os estudantes carecem de dedicação às necessidades específicas e o professor precisa ter tempo para perceber as diferenças durante o aprendizado de cada um”, explica. Assim, além de salas de aula enxutas – com até 25 alunos no ensino fundamental e, no ensino médio, no máximo 35 –, sistema de avaliação contínua, sem provas, deve ser adotado.


Considerando que a educação é um fenômeno social, Garcia afirma que a solução para o indicador é investimento multidisciplinar. Principal ação é a crianção de políticas públicas para aprimorar a infraestrutura das escolas, melhorar as condições de trabalho e formação de professores, além de formatar conteúdos de maneira que os jovens se sintam atraídos. “As principais justificativas (das gestões públicas) culpabilizam o aluno, que não teria interesse, e a família, que não teria estrutura, mas a verdade é que as escolas estão fechadas nelas mesmas e não se preocupam em criar projetos para melhorar a educação dos estudantes”, assegura Garcia.


Defasagem pode causar prejuízos psicológicos e sociais em jovens Além dos problemas na formação, a distorção idade-série também pode causar prejuízos psicológicos e sociais nos estudantes. Segundo Ítalo Curcio, coordenador do curso de pedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, faltam ações de inclusão destes alunos. “O jovem pode se sentir excluído e ter rendimento diferente porque não entende a linguagem usada pelo professor ou, ainda, porque os colegas não o chamam para grupos de estudo e lazer”, explica. Solução para esta questão, de acordo com o especialista, é integrar esforços entre orientador educacional, psicólogo e família para entender o que está ocasionando a dificuldade de avançar do aluno.


JUSTIFICATIVAS Em nota, a Secretaria da Educação estadual destacou que o percentual teve redução significativa, passando de 30,9% em 1998 para 9,6% em 2018 no Estado. A rede assegura que reúne esforços para reduzir o índice e estuda projeto para correção do problema, sem detalhar.


As prefeituras de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires informam que dispõem de programas para acompanhar o desenvolvimento dos alunos de maneira individualizada, como orientadores educacionais e psicólogos.


Fonte: DGABC 29-10-23019

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