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A Rota do Frango com Polenta acabou

Donos de estabelecimentos remanescentes comentam sobre a situação e o fim do tradicional ponto gastronômico


Gabriel Rosalin Especial para o Diário João Tollotti Especial para o Diário A concentração de restaurantes fez da Avenida Maria Servidei Demarchi um dos símbolos gastronômicos de São Bernardo, e do Grande ABC. Por anos, quem passava perto da via já conseguia sentir o cheiro do tradicional frango com polenta pairando pelo ar. Estabelecimentos como São Judas, São Francisco, Santo Antônio e Florestal, entre outros, foram marcantes para a região, por causa da procura – de moradores da cidade ou visitantes – por esse saboroso e clássico prato. O tempo mudou o cenário. O burburinho do passado foi trocado por uma infinidade de estabelecimentos que fecharam as portas ou mudaram de atividade. Dois deles, inclusive, se transformaram em supermercados. Em 2016, o Restaurante São Judas, que era o mais tradicional e antigo da Rota do Frango com Polenta, encerrou suas atividades. Sete anos depois, o espaço de 12 mil metros quadrados da casa que, além da comida, se notabilizou pelos grandes shows, ainda permanece ocioso, com grama alta no jardim, pichações nas paredes e placas de madeiras no lugar das janelas. Atualmente, a Rota encontra-se em uma situação totalmente diferente da vislumbrada principalmente nos anos 1980 e 1990. Os donos dos poucos restaurantes que restaram já não acreditam no retorno dos tempos áureos. “A Rota não existe mais.” Esta foi a frase mais ouvida pela equipe de reportagem do Diário ao percorrer o caminho na última semana.

O Restaurante Do Gaia permanece ativo desde 1977 na Rota. Reinaldo Demarchi, dono do estabelecimento, acredita que a saída de empresas da cidade atrapalhou os restaurantes. Além disso, segundo ele, a tradição de comer frango com polenta foi se desfazendo ao longo do tempo.

“Precisei me adaptar, coloquei a venda por quilo e antes não tinha delivery, precisei implantar também”, comentou Demarchi, explicando as estratégias que precisou adotar para conseguir manter o restaurante aberto diante de tantos percalços. Reinaldo Demarchi relatou que, no auge da Rota, vendia cerca de 1.500kg de frango e 300 kg de polenta em uma semana. “Hoje, quando vende bem, são 500kg de frango e 70kg de polenta”, comparou.

Apesar de o carro chefe não ser o frango com polenta, o Pingus é outro integrante da Rota que continua vivo, com início das atividades em 1997. “Sou um sobrevivente.Acabaram com a Rota, que tinha 80 anos de tradição. Jamais podiam ter deixado acontecer o que aconteceu”, afirmou Luis Carlos Trindade, proprietário do estabelecimento. Apesar dos inúmeros fechamentos e do declínio da rota gastronômica, Ricardo Capassi, dono do Restaurante Capassi, mantém o otimismo. O comerciante relata que o estabelecimento de 50 anos e que trabalha com vendas a la carte e delivery vive uma boa fase. “Aqui está bombando agora. Meu custo é mais baixo para manter as atividades do que o dos outros que fecharam”, explicou.

Dois expoentes da Rota seguem na área de alimentação, mas com outros modelos. Os prédios do São Francisco e do Florestal hoje são supermercados.

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