Bartira dispensa 300 de 1.600 funcionários

Empregados estavam em casa, pois fábrica está parada para ajuste e balanceamento do estoque.

A Indústria de Móveis Bartira, de São Caetano, demitiu 300 dos 1.600 empregados – número equivalente a um turno de trabalho, ou 19% do efetivo total. A produção da fábrica está 100% paralisada desde o dia 1º e voltará à ativa em 5 de novembro. A justificativa dada aos funcionários é a necessidade de ajustar e balancear o estoque, motivo, inclusive, que consta no telegrama enviado aos dispensados.

“A empresa deu um descanso remunerado, iríamos receber o salário e o adicional noturno normalmente mas, nesta semana, mandou telegrama para pessoas de vários setores”, relatou um dos demitidos que estava na fábrica havia sete meses e pediu sigilo. “A produção estava em alta, não notamos queda na demanda”, completou.

“Nós entendemos a situação do País, entendemos que não está vendendo e, por isso, há uma preocupação generalizada de que possa haver mais demissões”, revelou José Maria de Albuquerque, presidente do Sintracon (Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores da Construção e do Mobiliário) de São Caetano.

“Tem gente com mais de 20 anos de casa. É uma falta de respeito demitir por telegrama”, pontuou o ex-funcionário. “Fui trabalhar lá (na Móveis Bartira) porque ouvi dizer que era uma boa empresa, que não demitia, mas isso acabou acontecendo.”

Segundo Albuquerque, a empresa procurou a entidade na terça-feira e propôs acordo que prevê manutenção do convênio e da cesta básica dos demitidos por três meses. Entretanto, a proposta será analisada com os trabalhadores em reunião hoje, às 10h, na sede do sindicato.

Questionada, a Via Varejo, companhia responsável pela Móveis Bartira e por marcas como Casas Bahia e Ponto Frio, informou, em nota, que “em virtude de um processo de ajuste de estoques ao mix de lojas, eficiência operacional logística e de vendas, realizou uma readequação do quadro de colaboradores, eliminando um turno de atividades”. O grupo também confirmou que a produção está paralisada desde o dia 1º.

Além disso, circula na rádio peão que a fábrica teria sido vendida, que precisaria adequar seu modus operandi à nova gestão, ou, ainda, que poderia sair do município. No entanto, a Via Varejo não se posicionou quanto a isso.

Em entrevista exclusiva ao Diário em abril, Michael Klein, filho do fundador da Casas Bahia, Samuel Klein, e acionista da Via Varejo, salientou que outras localidades, como o Paraná, possuem móveis a preços menores, porém, que a fábrica na região é vantagem por conta dos custos com transporte.

A Via Varejo é hoje a principal arrecadadora de ISS (Imposto Sobre Serviços) de São Caetano, tendo recolhido R$ 17,3 milhões até setembro de 2017. A holding é a oitava no ranking de repasses de ICMS (Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) da cidade, somando R$ 2,5 milhões no período.

Procurada, a Prefeitura de São Caetano informou que não tem conhecimento sobre a venda ou saída da Móveis Bartira do município.

Fonte:  DGABC

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