Centrais e CNI retomam conversas em busca de uma agenda de desenvolvimento

Representantes dos trabalhadores e dos empresários têm divergências, mas esperam construir um espaço mínimo de diálogo em torno de propostas comuns.

Sindicalistas na sede da CNI, em Brasília: busca de uma agenda comum em meio a divergências

São Paulo – Quatro anos separam o lançamento do “Compromisso para o Desenvolvimento” e a reunião realizada hoje (26), em Brasília, entre representantes de centrais sindicais e da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a convite do presidente da entidade patronal, Robson Braga de Andrade. Inspiradora da nova lei trabalhista e apoiadora da “reforma” da Previdência, a CNI manifestou preocupação com os rumos da economia brasileira. Segundo o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, a ideia é “a construção de uma agenda de diálogo em torno do desenvolvimento, criação de empregos e fortalecimento dos sindicatos”.

De acordo com o sociólogo, a iniciativa se assemelha à de 2015, que acabou não indo adiante, agora em uma conjuntura ainda pior. “Há um contexto de ataque à organização sindical, à estrutura produtiva”, observa Clemente. Naquela oportunidade, o diálogo envolvia o governo federal, mas agora os interlocutores mais prováveis, além de trabalhadores e empresários, são o Congresso e os governadores.

“O esforço é para achar caminhos para produzir resultados diferentes do que tivemos até agora”, diz o diretor técnico do Dieese. “Vamos organizar uma agenda comum para construir uma plataforma, pensando no desenvolvimento econômico com propostas de curto, médio e longo prazo”, acrescenta, apontando desafios. “Não é simples, tem muitas posições divergentes.”

A próxima reunião deverá ser realizada em 11 de julho.

MP do boleto

A Medida Provisória (MP) 873, que dificultou a cobrança de contribuições sindicais, perderá a eficácia na próxima sexta-feira (28). O governo sinalizou que enviará projeto de lei sobre o mesmo tema. Mas o Executivo não conseguiu fazer andar a MP no Congresso, que não chegou a instalar comissão para analisar o texto. Vários sindicatos conseguiram liminares judiciais para manter a cobrança independentemente de boleto bancário.

Fonte: RBA

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