Cesta básica supera a marca de R$ 900 no Grande ABC

Yara Ferraz Diário do Grande ABC A despesa com os itens básicos de supermercado pesa cada vez mais no bolso do consumidor do Grande ABC. Com as sucessivas altas nos preços de produtos como arroz, óleo de soja e carne bovina, impulsionados principalmente pelo dólar, a cesta básica da região chega pela primeira vez ao patamar de R$ 900. O valor representa 81% do total do salário mínimo e até seis vezes maior que o auxílio emergencial do governo federal, que vai de R$ 150 a R$ 375. PUBLICIDADE No total, o preço da cesta medido pela Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André) chegou a R$ 900,40 no mês de maio. Na comparação com o mesmo período do ano passado, encareceu em 23,94%, o que representou um incremento de R$ 173,90. A pesquisa, que teve o início da série histórica em 2001, considera a cotação de 34 itens, baseada no consumo de uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças. É difícil apontar um só ‘vilão’ para a disparada das despesas, já que somente cinco itens tiveram baixas no preço no período de um ano. As altas incluem alimentos indispensáveis para a composição da refeição das famílias, entre eles o arroz, que encareceu 47,5% em um ano (de R$ 16,53 para R$ 24,39, o pacote de cinco quilos). O óleo de soja teve alta de 83,19% e chegou a R$ 7,28 (veja mais na arte acima). PUBLICIDADE “A soja é um produto basicamente produzido no Brasil para exportação. Além disso, o que piora mais a situação é que ela competiu muito nas plantações com o arroz, um grão que sofreu com a perda do interesse do cultivo. E agora, mesmo que esse interesse volte, a nossa moeda ainda está muito desvalorizada e o recuo de preço não vai ser grande”, disse o engenheiro agrônomo da Craisa, responsável pelo levantamento, Fábio Vezzá De Benedetto. Em relação à carne bovina, o quilo do acém, considerado corte de segunda, teve alta de 47,75% no período e o do coxão mole, de 40,32%. Possíveis substitutos como o ovo (R$ 8,35 a dúzia, que subiu 12,92%), o frango (R$ 7,76, alta de 0,94% no período) e até mesmo a sardinha em lata (R$ 4,52, alta de 22,40%) também encareceram. De acordo com Benedetto, a subida destes produtos, que são vistos como essenciais nas despesas das famílias, influenciou no valor total da à cesta. “São commodities agrícolas (itens classificados como matérias-primas e que têm o preço determinado pela oferta e procura internacional) e com a desvalorização do valor do real frente ao dólar, ficam mais caros para o consumidor. Além disso, o preço do combustível também aumentou bastante e este custo é embutido no valor final dos produtos encontrados nas prateleiras dos supermercados”, explicou.


CONSUMIDORES Com tantos produtos essenciais em alta, o consumidor precisa ser criativo para economizar na hora de realizar as compras. “Eu evito colocar carne vermelha no carrinho. Estou consumindo mais frango e utilizando receitas com berinjela, abobrinha e frios. Uma vez por semana, também recorro ao delivery de restaurantes, pedindo esfihas, por exemplo. O arroz acaba sendo o mais difícil de substituir, mas eu preparo mais macarrão”, disse a assessora de diretoria Tânia Melo, 58 anos, moradora do Jardim Independência, em São Bernardo. A analista de sistemas Viviane Magri Erdoeg, 41, moradora do Baeta Neves, em São Bernardo, compra marcas mais econômicas. “Se antes eu tinha um padrão de marca X agora opto pela marca Y. O pão de fôrma, por exemplo, eu troquei de categoria e agora faço opção pelo mais básico. O café que era premium, continuo na mesma marca, mas com um mais simples”, disse.


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