Cortes na Ford abalam saldo do emprego na indústria do Estado

São Paulo demitiu 3.500 trabalhadores do setor, sendo que, em S.Bernardo, houve 1.100 desligamentos; montadora anunciou saída de 750 colaboradores. Impactado pela demissão de funcionários da fábrica da Ford em São Bernardo, o saldo do emprego na indústria da região foi de 1.100 desligamentos em julho. A decisão teve reflexos até mesmo no resultado do Estado, já que, somente São Bernardo, com 1.050 postos de trabalho fechados, representou 30% do total de desligamentos estaduais (3.500) – foi a cidade com a maior queda nos resultados (-1,54% entre junho e julho).

Os dados fazem parte da pesquisa Nível de Emprego Regional, divulgada ontem pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Neste ano, o saldo do Grande ABC está negativo em 5.250 vagas, o que representa média de 24 dispensas por dia.

No último mês, a montadora norte-americana anunciou a demissão de 750 profissionais da planta de São Bernardo devido ao fim da produção do New Fiesta. Além disso, pelo menos 280 funcionários aderiram ao PDI (Plano de Demissão Incentivada). A fábrica terá suas atividades encerradas completamente até novembro, conforme decisão da empresa de sair do segmento de caminhões na América Latina.

De acordo com o diretor titular do Ciesp de São Bernardo,Cláudio Barberini Junior, além da empresa, fornecedores que atendiam à montadora também já começaram com as dispensas. “Muitas dessas empresas forneciam exclusivamente para a Ford e não têm condição de fornecer para a fábrica da Bahia (em Camaçari) ou Taubaté (no Interior do Estado). A montadora puxou a fila. Também tivemos redução por causa da queda nas exportações para a Argentina, que é um parceiro importante do setor automotivo”, disse.

O setor de veículos automotores e autopeças teve retração de -1,91% em São Bernardo. O setor de produtos de borracha e de material plástico (-10,61%) também influenciou no resultado municipal. Em todo o Estado foram 2.163 vagas fechadas em montadoras.

Apesar disso, Barberini acredita em recuperação. “As montadoras estão anunciando investimentos, então há perspectiva. Porém, é importante destacar que os empregos não voltam da mesma forma que eram. Com a automação muitas funções foram extintas e outras, criadas.”

OUTRAS CIDADES

No último mês, somente São Caetano fechou com saldo positivo, com a geração de 50 empregos. As indústrias de Santo André e Diadema fecharam 50 vagas cada uma (veja mais na arte ao lado).

O diretor titular do Ciesp Santo André, que também responde por Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, Norberto Perrella, destacou que o resultado é fruto da estagnação da atividade econômica. “A maioria das empresas ainda trabalha com grande nível de ociosidade. Com o encaminhamento das reformas da Previdência e tributária e da MP (Medida Provisória) da Liberdade Econômica, há expectativa de que a situação melhore, mas ainda está muito parado”, disse. As quatro cidades registraram demissão de 1.900 trabalhadores neste ano.

O diretor do Ciesp Diadema, Anuar Dequech Júnior, também culpou a falta de atividade econômica. “Ainda está uma situação de espera, com os empresários aguardando as reformas. Tem que começar a girar a roda da economia para que as contratações aconteçam, o que vai acontecer após a aprovação da reforma da Previdência.”

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