Dólar alcança o maior patamar no governo Bolsonaro

Moeda norte-americana fecha a R$ 4,1390 em meio a crise entre Brasil e líderes europeus pela Amazônia e briga de Trump com China.

O dólar atingiu ontem o maior valor desde o início do governo de Jair Bolsonaro (PSL), confirmando escalada iniciada com as declarações de guerra comercial entre Estados Unidos e China e crise instalada entre Brasil e países europeus sobre o futuro da Amazônia.

A moeda norte-americana fechou ontem a R$ 4,1390 (comercial), maior índice desde 17 de setembro de 2018, quando foi comercializada a R$ 4,1689 – à ocasião, o cenário eleitoral interferiu na cotação, uma vez que dez dias antes Bolsonaro havia tomado uma facada durante a campanha. Em casas de câmbio, o dólar atingiu R$ 4,34.

Desde o começo do governo Bolsonaro, o dólar raramente alcançou o patamar de R$ 4 (exceção à segunda semana de maio). Com o avanço da reforma da Previdência na Câmara, a moeda chegou a valer R$ 3,7446 (cotação do dia 12 de julho).

O cenário começou a mudar quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou retaliações econômicas à China alegando que Pequim não cumpria acordos agrícolas estabelecidos. A tensão internacional se somou à recente briga entre Bolsonaro e o presidente francês, Emmanuel Macron, que cobrou da gestão brasileira mais eficácia no combate às queimadas na Amazônia. Foi justamente neste período que países como Alemanha e Noruega anunciaram suspensão de repasses para fundo de manutenção da floresta – 60% de seu território está no Brasil.

Na visão do coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, a alta do dólar não afeta tanto como no passado porque o BC (Banco Central) adotou ferramentas para impedir reflexos profundos na economia nacional com a variação.

Ele analisou que, por enquanto, uma leve alta da moeda norte-americana tende a favorecer a economia do Grande ABC por melhorar a competitivade das exportações. Neste ano, o saldo da balança comercial das sete cidades está negativo em US$ 150 milhões. “Claro que se o dólar chegar a R$ 4,50 trará dor de cabeça.”

Balistiero alertou, porém, para eventual escalada de tensão na relação do Brasil com parceiros comerciais europeus por causa da Amazônia. “Infelizmente há queimas na Amazônia todo ano. Mas não é todo ano que temos um presidente que compra briga com parceiros comerciais. É um problema que ganhou uma dimensão muito maior do que deveria pela inabilidade do presidente e das pessoas que o cercam ao tratar do tema”, apontou. “É algo contornável (solucionar esse impasse). Mas é preciso baixar o tom e ter cooperação.”

Durante o dia, o dólar bateu R$ 4,16, motivado pela queda do valor das ações do banco BTG Pactual, alvo da 64ª fase da Operação Lava Jato. A instituição emitiu comunicado, o que tranquilizou investidores.

Desde a aprovação em primeiro turno da reforma da Previdência, o dólar acumula alta de 10,53%.

Fonte: DGABC

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