Depois de anunciar menos 12 mil vagas, ministro do Trabalho pede demissão

Ronaldo Nogueira alega que deixou o cargo para se candidatar nas eleições do ano que vem. Substituto no ministério recebeu a indicação com “susto”

Além da “reforma”, Nogueira também se notabilizou por portaria que flexibilizava critérios do trabalho escravo, suspensa pelo STF

São Paulo – O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, pediu demissão na tarde desta quarta-feira (27), horas depois de anunciar o fechamento de 12.292 vagas com carteira assinada em novembro, no primeiro mês da entrada em vigor da “reforma” trabalhista que, segundo o governo, estimularia a criação de novos postos.

Nogueira – que é deputado federal pelo PTB do Rio Grande do Sul e agora volta à Câmara – justificou sua saída devido à intenção de se candidatar nas eleições do ano que vem. Contudo, o prazo para desincompatibilização com vistas ao pleito de 2018 vai até o início de abril, o que reforça as suspeitas de que a sua demissão também estaria ligada aos pífios resultados alcançados pela “reforma”.

Ainda assim, o ministro demissionário defendeu o legado da “modernização trabalhista” que, segundo ele, tirou o país de “um modelo de alta regulação estatal para uma forma moderna de auto composição dos conflitos trabalhistas”.

A gestão de Nogueira à frente do ministério do Trabalho também ficou marcada pela polêmica portaria que flexibilizava os critérios de classificação do trabalho análogo à escravidão, abrindo brechas para o aumento da exploração. A portaria foi suspensa, por decisão liminar da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O ministério do Trabalho continua nas mãos do PTB, que tem se mantido fiel ao governo, inclusive tendo fechado questão a favor da aprovação do projeto de reforma da Previdência defendido por Temer.

Para o lugar de Nogueira, o escolhido foi o também deputado Pedro Fernandes (MA). À Folha de S.Paulo, o novo titular da pasta se disse assustado pela escolha. “Foi um susto, mas estou topando. Já me refiz do susto e vamos lá”, afirmou Fernandes.

Fonte: RBA 28-12-2017

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