Economia regional ganha R$ 1,8 bi com aeroporto

Envolvimento de segmentos já presentes nas sete cidades pode estimular uma reindustrialização.

A construção de um aeroporto no Grande ABC pode injetar na economia local R$ 1,8 bilhão por ano. O montante representa 1,6% do PIB (Produto Interno Bruto) das sete cidades, de R$ 112,04 bilhões. A estimativa consta de estudo do gestor do curso de Ciências Aeronáuticas da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Volney Gouveia, realizado para o Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS) e obtido com exclusividade pelo Diário.

O montante previsto se baseia nos reflexos em cadeia tanto da construção do equipamento como de sua operação e manutenção, e envolve setores petroquímico, químico, plástico, metalmecânico e de serviços. “Estamos falando do impacto que o aeroporto deve gerar com o aumento da produção de empresas que já atuam na região, e que podem se beneficiar com essa nova demanda. Isso inclui desde insumos, como peças de metal e plástico, até a instalação de material elétrico, serviço de limpeza e vigilância, lojas instaladas no local e no entorno, hotéis e locação de carro, por exemplo”, explica Gouveia.

Com a instalação do aeroporto, a participação da indústria no PIB regional, hoje o quarto maior do País – atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília –, aumentaria de 20% para 29%. Em valores reais, teria impacto anual de R$ 1,069 bilhão. O segundo setor que mais se beneficiaria seria o de serviços, ao girar cifras extras de R$ 676,8 milhões.

Para se ter noção da importância dos dois ramos, em 2016, último dado disponível pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), eles movimentaram, juntos, R$ 71,3 bilhões de riquezas, sendo a indústria, R$ 19 bilhões e, serviços, R$ 52 bilhões na região. “Enxergamos na indústria aeronáutica caminho potencial para contrabalançar a perda de receita gerada pela crise econômica e pelo fechamento e evasão de empresas da região. Seria uma importante colaboração para a reindustrialização das sete cidades”, diz Gouveia.

O custo de construção do aeroporto é estimado em R$ 649 milhões, conforme o estudo. E sua viabilidade dependeria da ação de agentes privados, que aportariam os valores, e municipais, que justificariam a necessidade de mais um aeroporto no País e a escolha da localidade – sugerida, pelo levantamento, que seja em São Bernardo, devido à disponibilidade de áreas que atendam às condições de ocupação do solo. “Os dois aeroportos mais próximos do Grande ABC, Congonhas, em São Paulo, e Cumbica, em Guarulhos, já estão com esgotamento da capacidade operacional, isso em um cenário de baixo crescimento econômico. Imagine quando o País começar a reagir? Temos atrasos de voos constantes, desconforto na acomodação dos passageiros e problemas de acessibilidade. O que só tende a piorar”, assinala.

NA PRÁTICA Há pelo menos seis anos esse debate não é retomado no Grande ABC. Em 2011, o então prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), encaminhou à presidente Dilma Rousseff (PT) projeto de aeroporto para tráfego de mercadorias e voos fretados, fechado para aviação comercial. Em 2013, a ministra de Planejamento e Orçamento, Miriam Belchior, disse que a proposta de construção do equipamento seria prioridade no governo federal, o que não vingou.

Segundo Gouveia, nesta semana haverá reunião com o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC para discutir o projeto, sugerir representantes das prefeituras para elaborá-lo e pensar em seminário para ecoar a ideia. “Vale destacar que a região recebeu fábrica da Saab, empresa sueca que produzirá peças e equipamentos para a fabricação dos aviões-caças adquiridos pelo Força Aérea Brasileira. Também passou a contar com dois cursos na USCS, integrando a região ao sistema de aviação civil do País.”

Fonte: DGABC

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