Entre 2017 e 2018, São Bernardo perde 328 empresas

Cidade com maior parque industrial do Grande ABC, São Bernardo sofre com a perda de empresas. Foi registrada redução de 328 firmas entre 2017 e 2018, sendo que o acontecimento mais grave aconteceu em outubro de 2019, com o fechamento da Ford, uma das seis montadoras da região, responsável por 2.800 empregos.


O Diário levantou que pelo menos nove empresas tradicionais fecharam as portas na cidade nos últimos três anos, todas elas com mais de 40 funcionários. Além da montadora, há empresas do segmento de autopeças e também multinacionais de outros setores. De acordo com os dados mais recentes disponíveis pela Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério da Economia, no fim de 2018, a cidade mantinha 14.868 empresas – o que volta ao patamar de 2012, quando havia 14.490 firmas –, enquanto que dois anos antes havia 15.196 – ou seja, 328 a menos. Considerando o número de empregos formais perdidos, de 2017 para cá foram 3.102.


Entre as que fecharam as portas em 2017 está a multinacional norte-americana P&G (Procter & Gamble), que encerrou as atividades em março daquele ano. A empresa produzia amaciante e sabão em pó na cidade e empregava 175 pessoas. Questionada, afirmou que busca soluções para otimizar sua cadeia de fornecimento e oferecer valor e serviço aos seus parceiros de varejo e consumidores no Brasil. Por isso, a companhia afirmou, em nota, que “optou por consolidar suas fábricas de São Paulo (Anchieta e Louveira) a fim de oferecer a mais avançada tecnologia para os consumidores em uma das plantas mais modernas do mundo, Louveira”.


Ainda em 2017, a fast-fashion Lojas Renner fechou o CD (Centro de Distribuição), do bairro Cooperativa, e o transferiu para Santa Catarina e Rio de Janeiro. “O objetivo da transferência foi otimizar os investimentos feitos nesses dois CDs, construídos para suportar os planos de expansão da companhia. Na época, a Lojas Renner colocou em prática extenso plano de ação para apoiar os colaboradores, chegando a realocar parcela deles em lojas da região”, informou, em nota. No mesmo ano, a Panex, que estava no Jardim Calux desde 1948, levou a operação para o Rio de Janeiro. Desde então, o movimento continua, atingindo até os tradicionais restaurantes da Rota do Frango com Polenta: o São Francisco fechou as portas em 2019 e o Florestal, o mais antigo em funcionamento, no dia 2.


No setor automotivo, metalúrgicas e autopeças foram atingidas. Exemplo é a Metalúrgica Paschoal, que está transferindo unidade para Itaquaquecetuba. O proprietário, Wilson Paschoal, cita que a mudança da lei de zoneamento do local, que era industrial e virou residencial, afetou a empresa, que não consegue atuar no turno da madrugada. A transferência será concluída no mês que vem. Dos 220 funcionários de 2019, 50 foram demitidos após o fechamento da Ford, seu segundo maior cliente, encerrando o ano com 170 e, até meados de fevereiro, outros 100 empregados serão dispensados. “Em um passado recente, não houve incentivo para minha empresa crescer na cidade”, lamentou.

Para o coordenador da regional de São Bernardo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Genildo Dias, o Gaúcho, falta política direcionada ao setor industrial. “Estamos vendo a chegada da indústria 4.0 e não conseguimos enxergar investimentos das empresas, principalmente das pequenas. Está na hora de governantes das esferas federal, municipal e estadual voltarem os olhos para isso.”


O coordenador de estudos do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo, Sandro Maskio, que levantou os dados da Rais, assinalou que São Bernardo é a maior economia da região e, dada essa concentração produtiva, a cidade acaba sentindo de forma mais intensa os efeitos da crise. “Nos anos 1990, com a abertura econômica, Santo André sofreu muito. Na crise dessa última década, São Bernardo foi a que mais sentiu.”


Segundo o coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição, é necessária a organização de ações de curto, médio e longo prazos. “Isso deve ser feito pela Prefeitura em parceria com Legislativo, sindicato dos trabalhadores, Ciesp, universidades e associação comercial. Todos precisam estar envolvidos. São esses os atores que Prefeitura deveria chamar e coordenar agenda para cada setor, pois cada um deles possui pautas diferentes”, afirmou. Para ele, é preciso criar soluções imediatas para “estimular compras em parceiras nacionais e internacionais e uma firma poder contar com a outra.”


Especialistas apontam urgência de medidas


Questionada sobre o assunto, a Prefeitura de São Bernardo destacou a implementação da lei de incentivos fiscais em 2017. A medida concede descontos progressivos no IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) para empresas que ampliarem o quadro de funcionários. Porém, para especialistas, a medida é ineficaz sem acompanhar outras políticas.


“É importante ter lei de incentivo tributário, mas não pode ser descolada de ação estruturante. Nenhuma grande empresa vai reverter decisão por conta do IPTU, que representa menos de 1% nos custos”, afirmou Jefferson José da Conceição, da USCS.

Segundo Sandro Maskio, da Metodista, a questão é importante e “mostra que o governo local tem um grau de preocupação com a atividade produtiva e busca criar mecanismos ao empreendedor. Porém, o IPTU representa pouco na estrutura de empresas grandes, diferente do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, que é estadual), por exemplo”, disse o especialista.


A Prefeitura também destacou que a evasão de empresas é fenômeno que vem acontecendo nos últimos anos. “Nesta gestão, a saída de empresas foi acompanhada pelo movimento de chegadas de outras, como a Novemp, Shimizu, DXC Technology, Aliança Navegação e Logística (Hamburg Sud), além de importantes players do setor varejista”, informou em nota. A administração também destacou a expansão da produção de empresas da cidade, em investimentos que superam R$ 4 bilhões até 2024. 


Fonte: DGABC 07/01/202

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