General Motors sinaliza possibilidade de demitir 754 operários em lay-off

Os 754 trabalhadores que estão em lay-off (suspensão temporária de contrato de trabalho) na General Motors de São Caetano correm o risco de perder o emprego. Isso porque a montadora norte-americana sinalizou ontem para o Sindicato dos Metalúrgicos da cidade que pretende demití-los.

“A empresa diz que, para o ritmo atual de produção de veículos, dois turnos de trabalhadores são suficientes. À época em que eles começaram a ser afastados, em novembro de 2014, tínhamos três turnos”, conta o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Francisco Nunes.

Atualmente, são confeccionados em São Caetano os modelos Cobalt, Spin, Montana e Ônix Joy – em 2016, o Ônix ocupou o posto de carro mais vendido do País. Ao mesmo tempo, a montagem do Cruze, que era feita na região, foi transferida para Rosário, na Argentina, onde a GM também possui fábrica.

“Nós compreendemos que a empresa banca esses funcionários há mais de dois anos, mas não aceitamos a demissão deles. Queremos que eles sejam reintegrados e, caso isso não seja possível agora, que o afastamento seja prorrogado por mais três meses.”

A última renovação do lay-off desses 754 profissionais ocorreu em maio, com duração prevista de cinco meses; o afastamento foi postergado por mais quatro meses e teria o retorno previsto para o dia 9, quinta-feira que vem.

A principal queixa dos profissionais suspensos é a de que a montadora não realiza o rodízio entre eles, e muitos estão em casa há mais de dois anos. Como resultado, o salário deles corresponde a 60% do que eles recebiam quando estavam na ativa. Além disso, os empregados tinham a chance de ampliar os rendimentos com o pagamento de horas extras.

Para estimular a manutenção dos empregos, o governo oferece complemento aos vencimentos dos profissionais em lay-off, equivalente ao teto do seguro-desemprego (hoje em R$ 1.643,72), para cada grupo de operários, por até sete meses. Porém, quando os mesmos funcionários permanecem afastados, sem um revezamento, não existe essa complementação e cabe à empresa pagar integralmente os valores, o que, na prática, não ocorre.

Nunes conta que nova reunião ocorrerá entre a GM e o sindicato na segunda-feira, quando a companhia dará resposta final a respeito do futuro dos operários.

“A montadora nos informou que pretende fazer investimento para modificar toda a estrutura da linha de produção em São Caetano, que é muito antiga, possui mais de 80 anos. A reforma teria início agora e terminaria em 2019. Como contrapartida, porém, os trabalhadores teriam de abrir mão de alguns direitos. Nós não aceitamos negociar enquanto não houver a garantia desses empregos”, revelou Nunes. O sindicalista disse que o valor do aporte não foi revelado, nem o que perderiam os funcionários.

Na semana passada, a GM anunciou que, para comemorar os 92 anos de atuação no Brasil, inaugurava em São Caetano “o maior sistema solar da indústria automotiva, com 560 metros quadrados instalados no telhado da fábrica em São Caetano, para fornecer água quente aos chuveiros do vestiário da fábrica, o equivalente a abastecer o consumo diário de 900 casas”.

No ano passado, a montadora demitiu pelo menos 160 operários que estavam em lay-off e não tiveram seus contratos renovados. Além disso, abriu PDV (Programa de Demissão Voluntária) e recrutou 30 pessoas.

EFEITO TRUMP – O vice-presidente do sindicato pontuou que a intenção de dispensar esses profissionais não se justifica, ainda mais porque na planta de São Caetano nenhum modelo é vendido ao México, diferentemente da unidade de São José dos Campos, no Interior, em que 2.200 operários vão entrar em férias coletivas neste mês devido à suspensão das exportações da caminhonete S10.

O país sofre com as medidas protecionistas do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, que quer sobretaxar os veículos advindos do México.

No entanto, Nunes conta que a empresa deve colocar os 9.000 funcionários da região em férias coletivas após o Carnaval, a partir do dia 6, para iniciar a mudança estrutural na planta. “Nada foi formalizado ainda, até porque tudo está condicionado a manter os 754 trabalhadores.”

Procurada, a GM disse que não iria comentar.

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