Indústria da região corta 1.050 em agosto

    Em meio ao cenário de tímida retomada na economia nacional, a indústria da região, que esboçou reação em julho, ao contratar 50 profissionais, voltou a demitir. Conforme levantamento mensal do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), as empresas do setor nas sete cidades eliminaram 1.050 postos de trabalho somente no mês passado.

    Os cortes foram capitaneados por São Bernardo, único município a apresentar resultado negativo. Somente em agosto, foram extintos aproximadamente 1.800 empregos, a maior parte no ramo de veículos automotores e autopeças. Os números assustam, já que eles entram para a estatística em meio a recentes anúncios de investimentos da Volkswagen, Scania, Toyota e Mercedes-Benz na cidade que, até 2021, somam R$ 5,8 bilhões.

    Na avaliação do diretor titular em exercício do Ciesp São Bernardo, Mauro Miaguti, o resultado é pontual, e podem ter influenciado os fatos de que, no mês passado, a Volkswagen colocou 1.500 operários em férias coletivas e 687 em lay-off (suspensão temporária do contrato de trabalho) – o que pode configurar como corte e, quando retornarem ao batente, contratação – para adaptar a planta e iniciar produção do novo Polo, e transferiu a produção do Gol para Taubaté, no Interior. “As autopeças são as que mais sofrem com essas mudanças, já que elas perdem pedidos e não têm as mesmas ferramentas que as montadoras para manter os operários quando a demanda cai”, justifica.

    Para Miaguti, “também pode ter contribuído alguma empresa que, por exemplo, anunciou fechamento em maio e só encerrou a operação agora.” É onde entra a Panex, que embora vá fechar as portas em dezembro, já tem demitido funcionários por meio de PDV (Programa de Demissão Voluntária) na unidade.

    Das 18 diretorias do Ciesp que apresentaram resultado negativo no mês passado, São Bernardo foi a pior. Em contrapartida, as demais verificaram performance positiva, sendo Santo André (que também engloba Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra) a que mais criou postos, 600, seguido de Diadema (100) e São Caetano (50).

    RITMO MENOR – Miaguti defende que o comportamento de agosto não indica tendência para o decorrer do ano. “As empresas estão parando de demitir como antes, a lógica é voltar a contratar mais adiante.” O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC concorda, e diz que as indústrias da região já atravessaram o momento mais crítico, de demissões massivas, e que já é possível verificar “redução na perda de postos de trabalho”.

    De fato, quando se compara a períodos anteriores, o ritmo de cortes diminuiu. Neste ano, o segmento acumula perdas de 3.400 postos de trabalho, o que significa 14 demissões diárias. Embora de janeiro a julho a velocidade estivesse em 11 por dia, nos oito primeiros meses de 2016 o cálculo era de 62 dispensas diárias e, em igual período de 2015, 85 por dia.

    DGABC Jornal

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