Indústria paulista perde peso e tem desconcentração pelo estado

    De 2003 a 2016, São Paulo diminuiu sua participação, embora ainda seja responsável por mais de um terço da riqueza. Internamente, interior ganhou terreno em relação à região metropolitana.

    São Paulo – A participação da indústria paulista no país vem perdendo peso há anos, mas, além disso, a economia do estado passou por um período de desconcentração, como mostra análise da Fundação Seade, com base em dados locais e do IBGE. Isso aconteceu, principalmente, nos setores de bens de consumo duráveis (como automóveis e eletrodomésticos) e intermediários (produtos de madeira, celulose, biocombustíveis, borracha, produtos químicos). De 2013 a 2016, o mapa econômico mudou de forma significativa.

    A Pesquisa Industrial Anual (PIA), do IBGE, mostra que nesse período a participação da indústria de São Paulo no chamado Valor da Transformação Industrial (VTI) caiu de 43,8% para 37,5%. Em 2016, “algumas regiões paulistas possuíam participação comparável à dos estados mais industrializados da federação, tendo sido fortemente impactadas pela abertura comercial e pelas transformações tecnológicas”, aponta o Seade, fundação vinculada à Secretaria de Governo do Estado.

    O segmento de bens duráveis, por exemplo, passou de 53,1% para 43,8%, enquanto o de intermediários foi de 43,6% para 36,4%. O de bens de capital (máquinas e equipamentos, entre outros) ficou praticamente estável – de 52,7% para 52,3%.

    O estado também passou por transformações. Os 20 principais municípios que em 2003 respondiam por 63,3% da atividade industrial paulista passaram a ser responsáveis por pouco mais da metade (50,9%) em 2016. Essa mudança se deve, basicamente, à redução registrada no município de São Paulo, de 14,8%  para 9% do total, embora tenha se mantido em primeiro lugar.

    A participação dos municípios do Grande ABC também diminuiu, de 11,4% para 7,2%. “Essas perdas são consequência da reestruturação do setor metal-mecânico e da cadeia produtiva automobilística da área metropolitana, assim como da instalação de novas unidades no interior do estado”, diz o Seade, destacando ainda o recuo de São José dos Campos, de 7,1% para 4,5%.

    Segundo o levantamento, os municípios que mais beneficiaram da desconcentração foram Sorocaba, que passou da 13ª para a nona posição, com a participação subindo de 1,5% para 2,4%, e os da Região Administrativa (RA) de Campinas. De 2003 para 2016, o número de cidades dessa região entre as 20 principais em termos de produção passou de cinco para sete (Paulínia, Campinas, Jundiaí, Piracicaba, Sumaré, Indaiatuba e Hortolândia). Embora com participação menor, Paulínia passou do terceiro para o segundo lugar.

    A região metropolitana de São Paulo sofreu forte queda, reduzindo sua participação de 40,6% para 30,9%. Enquanto isso, a RA de Campinas foi de 25,5% para 30,2% e a de Sorocaba, de 4,7% para 6,8%, o que mostra, segundo o Seade, consolidação do “corredor asiático”, expressão usada para caracterizar a maior presença de empresas japonesas, sul-coreanas e chinesas nessas regiões, como Toyota, Hyundai, Honda, LG, Samsung, Huawei, entre outras.

    Ainda na região do ABC, apesar das quedas, três de quatro municípios se mantiveram entre os 20 principais. O de São Bernardo do Campo, que respondia por 5% do VTI paulista em 2003, passou a 3%, caindo do quarto para o sexto lugar no ranking. A cidade de Santo André recuou cinco posições, para a 13ª (de 2,2% para 1,4%), e Diadema perdeu seis, para 18ª (de 1,6% para 1,2%), enquanto São Caetano saiu da lista.

    Confira aqui a íntegra do estudo divulgado pela Fundação Seade.

    Confira, a seguir, os três principais municípios por alguns dos setores industriais:

    Produtos alimentícios

    São Paulo

    Matão

    Araras

    Bebidas

    Jundiaí

    Jacareí

    Jaguariúna

    Têxteis

    São Paulo

    Santa Bárbara d´Oeste

    Americana

    Madeira

    Botucatu

    Agudos

    Salto

    Vestuário e acessórios

    São Paulo

    Araraquara

    Avaré

    Couro e artefatos

    Franca

    Lins

    Birigui

    Celulose e papel

    São Paulo

    Suzano

    Monte Mor

    Derivados de petróleo

    Paulínia

    Cubatão

    São José dos Campos

    Biocombustíveis

    Guaíra

    Promissão

    Andradina

    Produtos químicos

    São Paulo

    Paulínia

    Santo André

    Fonte: RBA

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