Mercedes investe R$ 2,4 bilhões para modernizar fábricas de pesados

    Mesmo em meio a série de escândalos que têm abalado sua imagem, a Mercedes-Benz aposta suas fichas em novo investimento. Entre 2018 e 2022 a fabricante injetará R$ 2,4 bilhões nas plantas de São Bernardo e Juiz de Fora (Minas Gerais). A distribuição do montante não foi detalhada pela marca, porém, o foco vai para fábrica situada no Grande ABC, conforme enfatizou PhilippSchiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO América Latina, ontem, em coletiva de imprensa.

    “O objetivo é melhorar a produtividade, tornando as plantas brasileiras ainda mais competitivas e referência em todo o mundo”, esclarece Schiemer. A fábrica da região seguirá o conceito de indústria 4.0 (com aumento de produtividade em 15%, automação, digitalização, além de novo layout e logística melhorada). Para se ter ideia, um dos primeiros passos é reduzir o número de armazéns de peças e componentes em geral de 53 para seis. Isso resultará em diminuição no tempo de transporte e baixará os custos.

    Já em relação ao número de empregos (a fábrica tem 7.700 funcionários), Schiemer afirma que não haverá redução. Quanto a contratação, diz: “Apenas se o mercado melhorar.”

    De acordo com o presidente, a fábrica de São Bernardo tem maquinário muito antigo e, justamente por isso, foi implantada a nova fase. “Precisamos estar preparados para atender às demandas futuras, com produtos atualizados e novas tecnologias de serviço e conectividade.” Cabe salientar que, além de eixo, motor e chassi (de caminhões e ônibus), a montagem da eletrônica dos pesados é feita aqui.

    Na planta da região, a única exceção é o Actros, que, diferentemente do que disse o prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), continuará sendo produzido em Juiz de Fora (local onde está a produção do modelo, além da soldagem e pintura de cabines de toda a linha) até o fim de seu ciclo. Ou seja, a fabricação dos pesados não será concentrada na cidade. Segundo Schiemer, a nova geração  poderá ser feita no Grande ABC no futuro, porém, isso depende da entrada do Euro 6 (motorização mais eficiente que se ampara em padrões europeus) no mercado nacional. “Para que isso aconteça, o Brasil precisa renovar sua frota. Não dá para pensar em caminhões dotados da tecnologia Euro 6, sendo que 80% da frota circulante é de caminhões ainda parados no Euro 3. Não seria competitivo.”

    Com o aporte, a Mercedes espera a recuperação do mercado brasileiro. “Situações como PIB (Produto Interno Bruto) maior, reforma política, juros baixos, inflação em queda e estabilidade do câmbio nos torna mais otimistas em relação ao mercado no ano que vem, que deve crescer 20% em relação a 2016”, prevê ele, que acredita em aumento real de vendas em cerca de cinco meses.

    CONDENAÇÃO – Em relação à multa de R$ 1 milhão por falta de segurança no maquinário da fábrica de São Bernardo, o presidente diz que “a Mercedes-Benz está agindo em conformidade e preparando sua defesa”. Sobre o processo que pede R$ 140 milhões por dano social coletivo pela demissão de 2.000 trabalhadores coagidos a aceitarem PDV (Programa de Demissão Voluntária), ele conta que a situação “causou estranheza”, afinal, “trabalhamos para manter empregos, demos oportunidades aos colaboradores e, tudo, aprovado em assembleia (com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC). Ainda assim, vamos trabalhar em nossa defesa.”

    Do outro lado da moeda, o sindicato, por meio do diretor Moisés Selerges, afirma que vai fiscalizar para que não haja demissões. “Queremos que a fábrica não só estabilize, mas aumente o número de postos de trabalho”, diz. “Vemos o investimento com bons olhos, mas é necessário que, sobretudo, sejamos competitivos mundialmente, olhando o mercado externo, pois, caso haja crise no Brasil, temos a opção de exportar e não correr o risco de fechar as portas.”

    VOLKSWAGEN – A Volkswagen anunciou ontem a troca do comando local. Sai o sul-africano David Powels, que assume a vice-presidência na China, e entra o argentino Pablo Di Si, que iniciou carreira na marca em 2014 e viveu por 11 anos no Brasil. Seu maior desafio é, no médio prazo, fazer com que a Volks assuma a liderança do mercado.

    DGABC – 11-10-2017

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