Negociações têm mais aumentos reais. Desemprego e lei são desafios

No setor de serviços, os acordos com aumento real somaram 68% do total

São Paulo – A inflação menor beneficiou as negociações salariais do ponto de vista do reajuste, que superou o INPC em 60% dos 300 acordos realizados no primeiro semestre pesquisados pelo Dieese, segundo levantamento divulgado hoje (20). Mas, em média, os reajustes foram 0,32 ponto percentual acima da inflação acumulada. Outros 30% dos acordos foram fechados com índice equivalente ao do INPC e 10% ficaram abaixo da inflação do período.

Apesar do resultado um pouco melhor, o Dieese aponta obstáculos para a conquista de reajustes maiores, citando a “lenta recuperação econômica demonstrada pela estagnação do PIB no primeiro semestre, a alta taxa de desemprego e o crescimento das ocupações precárias (assalariamento sem carteira e trabalho autônomo)”. Sobre esse último item, faz um alerta sobre um possível crescimento de ocupações precárias, “dados os estímulos previstos na reforma trabalhista, contida na Lei nº 13.467”.

Dos 179 acordos com reajuste acima do INPC (59,7% do total), a maior parcela (35,7%) teve aumento de 0,01 a 0,5 ponto acima do índice. Outros 13% ficaram em 0,51 a 1 ponto além da inflação. Durante o semestre, a proporção de reajustes com aumento real foi crescendo, passando de 42% das negociações, em janeiro, para 79% em junho.

Os reajustes com algum tipo de parcelamento representaram 3,7% do total, menor participação desde 2012. No primeiro semestre do ano passado, por exemplo, foram 28%. Caiu também o número de acordos prevendo escalonamento (de 33,3% para 28,3%) e de abonos (de 4% para 2,3%).

No setor de serviços, os acordos com aumento real somaram 68% do total, percentual que caiu para 58% no comércio e 51% na indústria, setor que teve 12% de reajustes abaixo da inflação. Por atividade econômica, os metalúrgicos fecharam acordo com ganho real em 84% dos casos.

“Como analisado nos balanços de reajustes salariais anteriores, entre 2006 e 2014 as proporções de reajustes acima da inflação se mantiveram em patamares altos, variando entre 80% e 90%. Com o aprofundamento da crise e aumento das taxas inflacionárias, os reajustes acima da inflação tiveram forte queda em 2015 e 2016, ano em que os reajustes com aumentos reais corresponderam a apenas 19% do total”, lembra o Dieese, observando uma ligeira recuperação no primeiro semestre deste ano, com a queda da inflação, embora ainda distante dos melhores resultados.

Fonte: RBA  23-10-2017

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