Por que empresas perdem interesse em fazer negócios com o Brasil?

José Raimundo de Oliveira


A cada tombo, e estes se dão diariamente, o Brasil desce a ladeira e assim vai caminhando em direção ao mais profundo abismo. Segundo pesquisa da PwC, empresa de consultoria e auditoria, realizada entre outubro e novembro de 2021, em 89 países, junto a 4.446 executivos (CEOs), e publicada ontem, 17/1, “o Brasil está menos atraente para os investidores“. Ainda segundo a PwC, “houve uma redução no interesse de outros países em fazer negócios com o Brasil nos últimos anos. Entre 2011 e 2013 o Brasil figurou entre os três principais mercados estratégicos para os CEOs globais”. Até aqui nenhuma novidade.

O problema é que matéria do jornal O Globo, por exemplo, tendo por base a pesquisa da PwC, tenta amenizar a situação atribuindo parte do problema à pandemia e as dificuldades do pais em superá-las, bem como ao fato do governo Bolsonaro não ter avançado nas tais reformas que o mercado tanto quer. A grande mídia esconde do distinto público que as maiores preocupações dos presidentes de grandes empresas que atuam no Brasil é a instabilidade econômica e a desigualdade social.


Isso não é dito desta forma para não ter que revelar a responsabilidade deste governo mequetrefe pelo fracasso econômico resultante da agenda neoliberal em curso desde 2015 que essa grande mídia e os agentes do mercado continuam a apoiar.

Se, como diz a matéria, “até 2013 o Brasil era o 3º pais mais procurado para investimentos estrangeiros e hoje ocupa a 10ª posição”, duas questões são aqui colocadas: o governo Dilma Rousseff não foi ruim aos investimentos vez que manteve o Brasil por três anos seguidos na terceira posição entre centenas de outros; o enrosco que levou o país à descer para a 10ª posição não foi outro senão a adoção do modelo econômico de desmonte do Estado e da retirada de direitos, com a precarização das relações de trabalho, iniciado por Michel Temer e aprofundado por Jair Bolsonaro.

De lá para cá o mercado de consumo só encolheu, pois as tais reformas (o congelamento do teto de gastos, a trabalhista e a Previdenciária, entre outras), somente agravaram a situação dos mais pobres enquanto os ricos nadaram de braçada. Todas as promessas de que com as reformas a economia brasileira iria deslanchar, o crescimento econômico seria retomado, seis milhões de novos empregos seriam gerados, deram com os burros n’água. Pois em regra nesse período os poucos empregos criados se deram no âmbito do trabalho precarizado (trabalhador recebendo salário de fome e sem proteção social).


Não tem sido por acaso que a renda média do trabalho caiu ao menor nível da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo IBGE. “O rendimento médio dos trabalhadores ocupados teve queda de 4,6% no trimestre até outubro em relação ao trimestre até julho (…). Em relação ao trimestre encerrado em outubro do ano passado, a renda média encolheu 11,1%”.

As consequências dessas medidas são por demais evidentes: 74,6 das famílias endividadas (dados do IBGE de outubro/2021), 14 milhões de desempregados, outros 40 milhões na informalidade e 19,5 milhões de pessoas passando fome.

Com a população trabalhadora empobrecendo e as classes médias encolhendo (ainda que estas se mantenham iludidas acreditando em meritocracia, que vão se dar bem, etc.), o Estado sendo desmontado, para essas empresas, ainda que gozando de vantagens (subsídios, por exemplo, e mão de obra barata, pois o custo do trabalho no Brasil nunca foi tão baixo como neste momento) as perspectivas não são nada interessantes. Em situação com esta e tendo um desastrado como Bolsonaro à frente do governo os investimentos tendem a encolher.

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