Queda da taxa de juros tem pouco impacto para o consumidor

Uma semana após o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) promover a sétima queda consecutiva da taxa de juros que rege a economia brasileira, a Selic, ao reduzir o percentual de 10,25% para 9,25% ao ano, os efeitos imediatos para os consumidores são mínimos. Apesar do recuo de um ponto percentual, na prática, a diminuição gira em torno de 0,08 ponto percentual.

A taxa média para financiar uma geladeira de R$ 1.500 em 12 vezes, que era de 5,67%, agora foi a 5,59%, de acordo com a Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade). O impacto no valor das parcelas será de R$ 0,78, passando de R$ 175,69 para R$ 174,92. No montante final a ser pago a diferença é de R$ 9,32, já que a dívida vai recuar de R$ 2.108,31 para R$ 2.098,99.

Outro exemplo está na utilização de R$ 1.000 no cheque especial, durante 20 dias. A economia real será de R$ 0,53, pelo fato de a taxa média mensal cair de 12,33% para 12,25%, e o valor dos juros cair de R$ 82,20 a R$ 81,67.

Na avaliação do economista e professor da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras) George Sales, fatores como a inadimplência alta, hoje em 3,7%, acabam inibindo qualquer efeito imediato da queda da Selic para o consumidor. “É irrisório (o impacto) e demorado, talvez isso seja mais perceptível no ano que vem, em caso de melhora no cenário econômico e, consequentemente, de queda da inadimplência.”

Para as pessoas jurídicas, o panorama é basicamente o mesmo. Se uma empresa realiza empréstimo de R$ 50 mil em capital de giro, pelo prazo de 90 dias e com taxa mensal de 2,34%, a redução no valor de juros a serem pagos é de R$ 125,78. “Na maioria dos casos não dá nem tempo de sentir (a redução) porque as mudanças do percentual são constantes”, assinalou Sales.

BANCOS – O Banco do Brasil anunciou cortes logo após a diminuição da Selic. Para pessoas físicas, o destaque são as operações de crédito imobiliário, com taxas menores no Sistema Financeiro de Habitação, de percentuais de 9,99% e 10,94% para 9,74% e 10,69% ao ano e na carteira hipotecária, em que os juros eram de 10,90% a 11,99% e recuaram para intervalo de 10,65% a 11,74%.

O Santander também anunciou recuo nas taxas de suas principais linhas de crédito à pessoa física. O percentual mínimo do crédito pessoal caiu de 1,89% para 1,79% ao mês, enquanto a do cheque especial reduziu de 2,39% para 2,29% ao mês. Já a taxa mínima de financiamento de veículos passou de 1,25% para 1,2% ao mês.

Até o fechamento desta edição, Caixa Econômica Federal, Itaú e Bradesco não haviam informado o impacto nos juros.

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