Região registra uma morte no trânsito a cada dois dias

Acidentes de trânsito são responsáveis por matar uma pessoa a cada dois dias no Grande ABC. Segundo levantamento divulgado ontem pelo governo estadual, por meio do Infosiga (Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo), no primeiro semestre deste ano foram contabilizados 117 óbitos no sistema viário da região.

O índice, que apresenta alta de 8,33% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizadas 108 vítimas fatais, mais uma vez volta a chamar a atenção de especialista ouvido pela equipe de reportagem do Diário, que pede com urgência medidas de Educação no trânsito para minimizar os indicadores.

A exemplo do que ocorreu no ano passado, o número de mortes em acidentes de trânsito já supera o índice de homicídios dolosos registrados nos sete municípios entre janeiro e maio, um total de 86 vítimas fatais.

“Temos uma doença epidêmica dentro do nosso sistema viário que não está sendo enxergada pelas autoridades. Essa comparação com os números de homicídio somente demonstra a urgência de nossa necessidade de resolver essa problemática a curto prazo”, destaca o chefe do departamento de medicina de tráfego da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego) Dirceu Rodrigues Alves Júnior.

Assim como registrado desde o ano passado, pedestres e motociclistas continuam a ser os mais vulneráveis no sistema viário. Das vítimas fatais na região neste ano, 45 eram motoqueiros e 40 transeuntes.

Ontem, mais um motociclista entrou para esta triste estatística. Por volta das 14h, acidente envolvendo um caminhão e uma moto, na Avenida dos Estados, altura do número 7.100, sentido São Paulo, evidenciou tal cenário. Após ser atingido pelo veículo de grande porte, ao tentar entrar na via que dá acesso à Capital, um homem de aproximadamente 25 anos foi arrastado por cerca de 200 metros até a moto explodir. Ele morreu no local.

“O que se nota hoje é que os motoristas de veículos não respeitam pedestres, ciclistas e nem mesmo motoqueiros. Grande parcela deles pratica uma direção imprudente”, lamenta Júnior.

Embora destaque a implantação da Lei Seca e do reforço da fiscalização, por meio de instalação de radares e programas como o Projeto Radar, o especialista vê ainda deficiência na quantidade de profissionais que atua na segurança do trânsito. “Faltam agentes na rua. E, mais do que isso, é importante que as pessoas saiam preparadas para dirigir em um sistema viário cada vez mais caótico. Hoje, no geral não há respeito à legislação existente no País”.

Acidentes também impactam nos cofres públicos

Levantamento feito por dois municípios do Grande ABC – Santo André e São Bernardo –, a pedido do Diário, mostra que acidentes de trânsito impactam no valor empenhado pelas prefeituras na área da Saúde.

Em Santo André, segundo a administração, no ano passado foram registradas 684 internações por acidentes de trânsito em equipamentos da rede pública. No total, esses atendimentos representaram gastos na ordem de R$ 830 mil aos cofres públicos.

São Bernardo, por sua vez, registrou 2.839 pacientes por acidentes no sistema viário, com média de R$ 2.000 gastos no valor de cada diária.

Para o chefe do departamento de medicina de tráfego da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), Dirceu Rodrigues Alves Júnior, a situação somente tende a se agravar caso a quantidade de acidentes não seja reduzida. “A média do País é que a cada dez leitos, seis sejam utilizados por pessoas vítimas de acidentes de trânsito, sendo quatro dessas motoqueiros. Precisamos de ação emergencial do governo federal”.

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