Reunião em abril deve esclarecer o Rota 2030

    A expectativa do setor automotivo é a de que o Rota 2030, programa do governo federal de incentivo a P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), tenha uma definição em abril. Em meio a incertezas – já que o projeto tinha previsão inicial de ser aprovado após o Carnaval, em fevereiro –, uma reunião nas próximas semanas com o presidente Michel Temer (MDB) deve trazer mais esclarecimentos sobre o assunto, conforme sinalizou ontem o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Antonio Megale. A iniciativa é crucial para que as montadoras pautem os investimentos no País. Sem ela, há preocupação com a perda de produção e, até mesmo, de postos, a médio e longo prazos.

    Esta é a primeira vez, no período de 25 anos, em que o Brasil fica sem incentivos destinados à indústria automotiva. O antecessor do Rota 2030, o Inovar-Auto, vigorou por cinco anos, até dezembro, e tinha teto de incentivos fiscais às montadoras que investissem em P&D de R$ 1,5 bilhão por ano. Para o diretor executivo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wellington Messias Damasceno, a demora na definição cria a apreensão de que o programa não seja aprovado antes das eleições presidenciais, em outubro.

    “Como estamos em ano eleitoral, quanto mais você avança, menores são as chances de se ter um projeto de longo prazo, o que é um primeiro problema. O segundo é a falta de previsibilidade, o que é um entrave para qualquer setor industrial, porque inviabiliza investimentos. Sem essa definição, corremos alguns riscos iminentes, como o desinvestimento de algumas unidades no Brasil e, a médio e longo prazos, a diminuição do volume de produção, fechamento de algumas unidades e desemprego. Outro risco é ter a invasão de produtos importados no mercado”, pontuou.

    No Grande ABC, as seis montadoras anunciaram investimentos que superam os R$ 8 bilhões para modernizar suas plantas de São Bernardo e São Caetano até 2022. A Toyota investiu R$ 70 milhões entre 2015 e 2017 na revitalização da planta de São Bernardo, e inaugurou em agosto do ano passado o Centro de Pesquisa Aplicada no município, único na América Latina, graças aos incentivos do Inovar-Auto. A montadora também possui centros na Europa, nos Estados Unidos e no Japão.

    O diretor de relações públicas e governamentais da Toyota, Ricardo Bastos, ponderou que a definição sobre P&D é essencial para a escolha de onde a tecnologia vai ser desenvolvida, já que existe uma espécie de competição dentro da própria empresa, entre as filiais multinacionais. “Estamos esperando (o Rota 2030) para confirmar investimentos no Brasil. Não é que serão cancelados, mas serão impactados, principalmente nas áreas de ciência e tecnologia. O Rota 2030 é importantíssimo para o nosso centro de pesquisa, porque sem essa definição não sabemos todos os produtos que poderemos desenvolver no País, até por conta da competitividade”, sentenciou.

    Segundo ele, as tecnologias dos veículos continuarão a ser desenvolvidas, porém, o programa pode ajudar a definir onde. “Uma das coisas importantes é a previsibilidade, seja na parte de eficiência energética, segurança veicular ou engenharia. É importante para atrair esses projetos, já que, se a gente não fizer no Brasil, a companhia vai fazer lá fora.”

    Procurada, a Casa Civil não confirmou a data da reunião entre Temer e o setor automotivo, e afirmou que o texto do programa ainda está em análise e discussão, “sem data prevista para conclusão dessa fase de produção do texto”.

    O MDIC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços) e o Ministério da Fazenda também mantiveram o posicionamento. Conforme informações de bastidores, o principal entrave para a aprovação seria a falta de acordo entre as duas Pastas sobre o valor e a forma de aplicação dos incentivos.

    Toyota apresenta protótipo de híbrido flex

    A Toyota apresentou ontem o primeiro protótipo de híbrido com motor de combustão interna flex. O projeto, desenvolvido em conjunto entre equipes de engenharia do Centro de Pesquisa Aplicada de São Bernardo, e do Japão, pode ser movido de duas formas: além do uso de combustíveis tradicionais, como a gasolina e o etanol, à eletricidade.

    O trabalho foi direcionado para a extração do potencial máximo de cada solução, focando na alta eficiência e em baixos níveis de emissões e capacidade de reabsorção do gás carbono. Todo o protótipo foi construído sobre a plataforma do modelo Prius, usada como base. A marca ainda estuda possibilidades de produção desta tecnologia no Brasil no futuro.

    Conforme o diretor de relações públicas e governamentais da montadora, Ricardo Bastos, o motor, a calibração, e alguns componentes de engenharia foram desenvolvidos aqui. “Mas o trabalho foi uma combinação entre as duas unidades”, afirmou.

    Ainda não há previsão para a comercialização do modelo. “Isso ainda não está no nosso horizonte. Por enquanto, vamos fazer diversos testes durante todo o ano”, destacou.

    Fonte: Do Diário do Grande ABC

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