São Caetano sustenta 2º mês seguido de geração de vagas formais no ABC

Em uma sequência que não se via desde setembro de 2014, o mercado de trabalho do ABC registrou em maio o segundo mês consecutivo de geração de vagas com carteira assinada. Foram criados 369 empregos formais no mês passado na região, como resultado de 21.708 admissões e de 21.339 desligamentos.

O saldo é menos da metade do obtido em abril (837), mas é a primeira vez em 32 meses em que há dois resultados positivos seguidos no ABC no âmbito do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Mi­nistério do Trabalho.

O resultado foi puxado pe­­las 1.335 vagas criadas em São Caetano. Porém, como cin­co dos sete municípios fe­cha­­ram mais postos do que abriram em maio, o saldo geral da região acabou reduzido. De janeiro a maio, o ABC acumula 3.472 empregos extintos. Ainda assim, o resultado é o melhor para o período desde 2014, o que sugere desaceleração no ritmo de demissões após três anos consecutivos de forte redução na ocupação.

O excepcional desempenho de São Caetano chamou a atenção nos dados de maio. Para se ter uma ideia, o saldo é o maior do município desde as 1.411 vagas abertas em março de 2010 – portanto, há mais de sete anos.

O resultado de São Caetano foi puxado pelos 200 postos criados na indústria de madeira e mobiliário, 543 na construção civil, 237 nos serviços de alojamento, alimentação e reparação e 164 na administração pública.

Além de São Caetano, somente Santo André criou empregos formais em maio, 119 (ve­ja quadro ao lado).

No corte por atividades econômicas, construção ci­vil e serviços deram as principais contribuições para o resultado positivo do ABC, com 228 e 307 postos de trabalho abertos em maio, respectivamente. Em contra­partida, o comércio fechou 59 vagas e a indústria, 279.

Acomodação

A sequência de dois meses de resultados positivos coincide com o anúncio de uma série de dados – no varejo e no comércio exterior, entre outros – que sugerem que a economia do ABC chegou ao “fundo do poço” após três anos de recessão e que caminha para um período de acomodação.

A reversão vai depender, entre outros fatores, da retomada da indústria, assolada no ABC pela crise no setor automotivo, da qual a economia regional é fortemente dependente. Apesar do aumento recente nas exportações de veículos, as montadoras operam com ociosidade média de 70%.

Agropecuária garante saldo positivo nacional

O bom momento vivido pela agropecuária, que já teve impacto no Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, foi o principal responsável pelo resultado positivo na criação de vagas com carteira assinada em maio.

Entre demissões e contratações, foram criadas 34,2 mil vagas com carteira assinada no país em maio, melhor resultado para o mês desde 2014. É a primeira vez em mais de dois anos em que há dois meses seguidos de resultados positivos para o emprego.

Agricultura e pecuária responderam por 46 mil vagas criadas no mês passado. Outros três setores (indústria de transformação, serviços e administração pública) também geraram postos, mas em patamar bem inferior: 4.376.

Ou seja, 90% das vagas criadas surgiram no campo – somente o cultivo de café, concentrado em Minas Gerais, gerou 25,2 mil postos de trabalho formais. A agropecuária foi a principal responsável pela alta de 1% do PIB no primeiro trimestre, com a melhora da safra.

Como outros setores (comércio e construção civil) tiveram saldo negativo de postos, o saldo geral do mês foi reduzido a 34,2 mil vagas.

O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, afirmou que, apesar da forte contribuição da agropecuária, o resultado deve ser comemorado. “A economia se consolida mês a mês e mesmo setores que apresentaram números negativos estão caindo menos do que o período de 2015 e 2016”, afirmou.

Na avaliação de economistas, porém, os números mostram que, apesar de o mercado de trabalho estar melhor do que o de 2016, a recuperação vai demorar a criar força. “É uma reversão lenta, limitada e vai demorar alguns anos para que se recomponha esses 3 milhões de postos de trabalho perdidos em dois anos, ainda mais com a atividade fraca”, afirmou Thiago Xavier, economista da Tendências.

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