Taxa de juros cai para 6,75% ao ano

Trata-se do 11º corte consecutivo; é a primeira vez na história que a Selic atinge este patamar

Na primeira reunião do ano, o Copom (Comitê de Políticas Monetárias) do BC (Banco Central) cortou 0,25 ponto percentual da Selic (taxa básica de juros), reduzindo-a para 6,75% ao ano. Trata-se do 11º corte consecutivo e o menor índice da história. Segundo especialistas, o recuo, embora positivo, é resultado da recessão vivida pelo País e do PIB (Produto Interno Bruto) estagnado.

Na avaliação de Silvio Paixão, professor de Análise de Cenários Econômicos e Macroeconomia dos cursos de MBA da Fipecafi, o ano ainda não está favorável para recuperação da economia, e a queda dos juros básicos é uma tentativa de reaquecê-la. “Teremos eleições e Copa do Mundo, além de muitos feriados prolongados, o que dificulta que a economia volte a girar. A intenção deste corte é tornar as empresas mais competitivas para, quem sabe, vender mais.”

Por outro lado, Sandro Maskio, coordenador do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo, avalia que o consumidor não sente os reflexos do recuo do índice. “Quem produz ainda paga muito caro pelo crédito, assim como o cidadão que consome. Mesmo (a Selic) chegando em 6,75%, as pessoas continuam pagando mais, pois as quedas demoram a chegar na ponta.”

Em sinergia, o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, salienta que “o fato de a Selic ter atingido o menor valor em toda sua história pouco adianta na prática, porque os juros para o tomador final no Brasil ainda estão entre os maiores do mundo”.

Para se ter ideia, a taxa média de juros para pessoa física em dezembro, segundo a Anefac, era de 7,33% ao mês e 133,7% ao ano, sendo que os de cartão de crédito chegavam a 12,74% ao mês e 133,7% ao ano e, do cheque especial, 12,14% ao mês e 295,48% ao ano.

INVESTIMENTO – Se por um lado não facilita a vida do consumidor, a redução da taxa, por outro, pode impactar negativamente os investimentos estrangeiros no País. Isso porque, com a previsão de que os juros dos Estados Unidos subam 0,75 ponto percentual sobre o atual 1,5% ao ano, o país se torna mais atrativo para os investidores. “Mesmo que os rendimentos lá sejam menores, o mercado financeiro enxerga que há menos riscos do que aqui”, completa Paixão. Outro incentivo para investir na terra do Tio Sam é a tributação das empresas. “Nos Estados Unidos, elas pagam cerca de 25% de IR (Imposto de Renda), enquanto que, no Brasil, pagam pelo menos 35%”, destaca.

Caso haja migração de investimentos, o dólar tende a subir, o que pressiona a inflação pelo fato de produtos importados e insumos ficarem mais caros.

POUPANÇA – Com a decisão, o Copom ativou o gatilho que altera a correção da caderneta de poupança, já que, desde 2012, quando a Selic está abaixo de 8,5% ao ano, deixa de render 6% ao ano mais TR (Taxa Referencial) e passa a remunerar 70% da taxa básica de juros mais TR – ou seja, aproximadamente 4,72% ao ano.

Neste caso, tal investimento torna-se menos rentável – embora, por vezes, seja melhor opção do que renda fixa indexada na Selic, que recolhe IR e taxa de administração, enquanto que a poupança é isenta – e títulos do Tesouro Direto que rendam conforme a inflação, passam a ser mais vantajosos. “Mas sempre é preciso fazer as contas e lembrar dos custos que acompanham o investimento”, orienta Paixão.

Fonte:  DGABC

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