Tempo de recolocação dobra no Grande ABC

    Segundo agência de recrutamento Luandre, na crise, levava-se de 4 a 6 meses e, agora, de 8 a 12.

    O tempo médio de recolocação no mercado de trabalho do Grande ABC, que antes da crise econômica, iniciada em 2014, era de quatro a seis meses, desde a turbulência leva de oito a 12 meses. Ou seja, dobrou. É o que afirma o gerente da agência de recrutamento Luandre na região, Luiz Henrique Souza.

    Segundo ele, a maior dificuldade está na oferta de vagas para atender analistas, especialistas e técnicos, cuja faixa salarial gira entre R$ 4.000 e R$ 7.000. A maioria das chances em aberto é voltada para funções que exigem menor qualificação, principalmente na área de serviços, e, consequentemente, oferecem rendimentos menores.

    Diante da menor disponibilidade de posições a concorrência aumenta e alguns pontos contam bastante na disputa por uma vaga – quanto maior o salário, maior a exigência, e não somente o conhecimento técnico, como há alguns anos, cita Souza. Conforme o executivo, as empresas hoje estão mais criteriosas, antes recolocavam mais rápido, mas, ao mesmo tempo, tinham rotatividade maior. Para evitar gastos desnecessários com contratação e desligamento num curto espaço de tempo, além de treinamento e pagamento de hora técnica, as exigências cresceram e, consequentemente, o tempo de reposição também.

    Souza aponta que a ausência de bons aspectos comportamentais, como saúde física e mental do candidato, compromisso com a entrega do serviço e habilidade para se relacionar dentro do ambiente de trabalho eliminam cerca de 80% dos interessados. “Quando estão fora do mercado, e quanto maior for esse tempo, mais fragilizadas ficam as pessoas. Isso causa desgaste emocional violento, que cresce à medida em que faltam recursos para pagar as contas”, assinala. Por isso também é fundamental cuidar de si e de suas relações, além de reunir dados que mostrem sua eficácia no trabalho pretendido.

    “A busca por um emprego deve ser encarada como um trabalho. Não dá para ficar de pijama em casa, desatualizado e soltando o verbo nas redes sociais”, sentencia. “Existem diversos cursos on-line e até gratuitos para se atualizar. E em uma entrevista, se falar mal do chefe, o candidato cai imediatamente. Conta pontos mostrar habilidade para se relacionar e como solucionou determinados problemas e projetos nos quais participou.”

    Souza diz que as companhias sempre conferem as redes sociais, e o profissional que reclama sempre de política, do mundo e demonstra preconceitos, perde pontos. Assim como pessoas que estão sem disposição, desmotivadas, desesperançosas ou com uma energia ruim.

    Para ajudar a manter a saúde mental, e driblar o período de dificuldades até se recolocar, o gerente da Luandre diz que praticar atividade física, mesmo que seja uma caminhada de uma hora por dia, tem seu valor. Assim como, logo que for demitido, tentar fazer um planejamento com a rescisão, para não passar tantos apuros enquanto estiver desempregado.

    Gestor erra perfil na busca por candidato

    Luiz Henrique Souza, gerente da Luandre no Grande ABC, revela que um dos maiores erros dos gestores das empresas é não explicitar o perfil de profissional que busca para a vaga ao RH ou então procurar alguém que pense parecido com ele, algo baseado em alguma decisão pessoal, e não necessariamente uma pessoa com características diferentes e que some ao grupo. “Quase um terço dos entrevistados concorda que há dificuldade ao traçar o perfil comportamental do profissional desejado, o que dificulta o trabalho do RH.”

    E o que é possível fazer para ajudar? Pesquisa da Luandre realizada com cerca de 300 empresas da região, e cedida com exclusividade ao Diário, aponta alguns caminhos para melhorar o processo: 44,2% desses profissionais sugerem que melhor definição do perfil e maior entendimento das expectativas do gestor podem facilitar o trabalho de busca e atração e possibilitar taxas mais baixas de turnover (rotatividade). Outro indicador que reforça a importância de bom alinhamento é o fato de 62% dizerem que a eficácia do processo está no alto nível dos candidatos, fato que deixa o gestor mais satisfeito.

    O estudo ainda mostrou que, para 36,1% dos entrevistados, é fundamental a contratação de consultoria com estrutura e profissionais tecnicamente qualificados para apoiar nos desafios de contratação. Segundo o gerente, por meio da análise, foi possível detectar que, na região, 47,3% das empresas precisam ou já precisaram do apoio de consultoria para realizar processos seletivos. Fonte: DGABC

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