Votação da reforma da Previdência no Congresso vai ficar para 2019

Votação da reforma da Previdência deve ficar mesmo para 2019, depois que a equipe de Jair Bolsonaro decidiu priorizar relacionamento com deputados e senadores eleitos. Ao mesmo tempo, futuro governo se distancia do presidente Michel Temer. Bolsonaro voltará a circular por Brasília nos próximos dias, quando diversas decisões devem ser tomadas, além de conversas com autoridades da capital.

O governo de transição do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), adotou uma postura de distanciamento protocolar do governo do presidente Michel Temer (MDB). Por outro lado, a prioridade da futura gestão é priorizar desde já um bom relacionamento com os parlamentares que conquistaram a reeleição. As conversas com os atuais responsáveis pela articulação política do Palácio do Planalto estão arrefecendo, e o efeito prático disso pode ser o adiamento da votação da reforma da Previdência, que deve ficar para 2019. Mesmo a votação de medidas infraconstitucionais, ou seja, que não alteram a Constituição, podem ser preteridas.

A sinalização atual da equipe política de Bolsonaro é bem diferente da postura na semana passada. Na última quarta-feira, quando ele se reuniu com Temer no Planalto, havia um entendimento de articular medidas prioritárias para o futuro governo. O diálogo, no entanto, se apresenta meramente técnico. Ontem, o secretário de Previdência do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano, se encontrou com a equipe de transição e afirmou que debateram apenas “metodologia de projeções” com a área técnica. Disse também não ter sido convidado para assumir um cargo no próximo governo. “Esse assunto não foi discutido durante a reunião e nenhuma proposição de alternativa à reforma foi discutida comigo”, garantiu.

Detalhes

O distanciamento de Temer se dá nos detalhes. O ministro extraordinário, OnyxLorenzoni, coordenador do governo de transição, declarou que a futura gestão começa apenas no próximo ano, ao justificar os motivos de não levar as prioridades que considera relevantes a Temer. “O nosso governo começa no dia 1º de janeiro. Qualquer outra atitude poderia ser lida como uma prepotência do futuro governo e jamais queremos isso”, disse. O emedebista foi lembrado com frieza. “O atual presidente do país, vocês sabem quem é, tem que cumprir sua missão até 31 de dezembro”, acrescentou.

A postura de Lorenzoni sinaliza a intenção do governo eleito em trabalhar a articulação com deputados e senadores que se reelegeram almejando o próximo ano. E isso inclui, sobretudo, a reforma da Previdência. Há um temor dentro da equipe de transição de derrota em levar adiante a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que está na Câmara, ou mesmo medidas infraconstitucionais. Um cenário que os mais próximos de Bolsonaro querem evitar a todo custo.

O coordenador do governo de transição foi advertido por parlamentares reeleitos do atual centrão e por Maia. Ontem, Lorenzoni se encontrou com o presidente da Câmara, que fez o alerta. “O que conversamos é no sentido de podermos estreitar nosso diálogo e assegurar que a relação do futuro governo com o Parlamento foi de que, no fim de 2019, reconhecerão nosso governo como o que melhor trata deputados e senadores”, declarou.

Fonte: CorriorBraziliense

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